domingo, maio 08, 2016

Ellen White contra o culto chato

Sim, existem cultos chatos e até Ellen White, uma escritora do século 19 concorda com isso. Não, os cultos não devem ser chatos, e Ellen White fala sobre isso claramente. Nenhuma de nossas reuniões deve causar tédio pela falta de vida, de ânimo, pela desorganização ou pela impontualidade.
Sim, existem pregadores monótonos e que falam demais, e até Ellen White concorda com isso. Não, os sermões não devem ser um teste de resistência para a Grande Tribulação por vir.
Notem que estou falando de uma antiga escritora que viveu num dos períodos de maior fervor do adventismo, onde os cultos eram vibrantes e marcados pela profunda busca da presença do Senhor.
Muito tem sido escrito a respeito do papel da música no culto cristão. No entanto, boa parte do tempo de nossas reuniões são dedicadas ao sermão. Um culto de uma hora e meia chega a ter uma hora dedicada apenas ao que, em teoria, deveria ser a exposição da Palavra.
Creio que deveríamos nos preocupar tanto com a pregação quanto temos nos preocupado com a música. Ellen White dedicou muitos parágrafos a esse assunto, e deveríamos dar mais atenção a eles. De acordo com ela, muitas reuniões se tornam desinteressante justamente por causa do modo como o sermão é apresentado. Em resumo: um culto pode se tornar chato, se o pregador não seguir algumas diretrizes.
Esses parágrafos anteriores se fazem necessários pois é normal colocar a culpa do culto frio e monótono em cima dos adoradores, não dos que planejam e dirigem o culto. No entanto, quem fica no púlpito divagando por mais de uma hora num discurso sem vida não pode simplesmente jogar a culpa nos membros e ir para casa com a consciência limpa de que "fiz a minha parte". Na luta contra o culto-entretenimento, pode surgir a idéia implícita de que há virtude no culto desagradável e morto, mas Ellen White não endossa esse tipo de culto.
Ao contrário do que supõe algumas pessoas, Ellen White orienta que nossas reuniões sejam interessantes e cheias de vida. E para isso ela frequentemente sugere o sair da rotina, usar novas idéias e abordagens, e especialmente cuidar com o horário.

#Cultos devem ser interessantes
“Deve imperar ali a própria atmosfera do Céu. As orações e discursos não devem ser prolixos e enfadonhos, apenas para encher o tempo. Todos devem espontaneamente e com pontualidade contribuir com sua parte e, esgotada a hora, a reunião deve ser pontualmente encerrada. Deste modo será conservado vivo o interesse. Nisto está o culto agradável a Deus.
Seu culto deve ser interessante e atraente, não se permitindo que degenere em formalidade insípida. Devemos dia a dia, hora a hora, minuto a minuto viver para Cristo; então Ele habitará em nosso coração e, ao nos reunirmos, seu amor em nós será como uma fonte no deserto, que a todos refrigera, incutindo nas almas esmorecidas um desejo ardente de sorver da água da vida”. (Test. Seletos, vol. 2, 252)
“Não canseis jamais os ouvintes com sermões longos. Isso não é sábio. Durante muitos anos estive empenhada nesse assunto, tratando de que nossos irmãos preguem menos e dediquem o seu tempo e energia para simplificar os pontos importantes da verdade, pois todo ponto será motivo de ataque de nossos oponentes. Todos quantos estejam relacionados com a obra devem manter idéias novas; ... e com tato e previsão fazei todo o possível para interessar os vossos ouvintes.” (Carta 48, 1886)
#Pontualidade ajuda a evitar cultos e reuniões chatas
“As reuniões de conferências e oração não devem tornar-se tediosas. Todos devem estar prontos, se possível, na hora indicada; e se há retardatários, que estejam atrasados meia hora, ou mesmo quinze minutos, não se deve esperar por eles. Se houver apenas dois presentes, podem reivindicar a promessa. A reunião deve ser iniciada na hora marcada, se possível, estejam presentes muitos ou poucos." (Review and Herald, 3 de maio de 1871)
#Sermões Longos e Tediosos
"Que a mensagem para este tempo não seja apresentada em discursos longos e elaborados, mas em prática breves e incisivas, isto é, que vão diretamente ao ponto. Sermões prolongados fatigam a resistência do orador e a paciência dos ouvintes. (...)
Dai lições curtas, em linguagem clara e simples, e repeti-as muitas vezes. Os sermões curtos serão muito mais lembrados do que os longos. Aqueles que falam devem lembrar que os assuntos que estão apresentando talvez sejam novos para alguns dos ouvintes; portanto, os pontos principais devem ser repassados uma e outra vez."(Obreiros Evangélicos, 167 e 168)
“Sejam os discursos curtos, espirituais e elevados.” (Test. Min. e Obreiros Evangélicos, 338)[1]
#Muitos rodeios preliminares antes de ir ao ponto central
“Muitos oradores perdem o tempo e as energias em longos preliminares e desculpas. Alguns gastam cerca de meia hora em apresentar escusas; assim se perde o tempo e, quando chegam ao assunto e procuram firmar os pontos da verdade no espírito dos ouvintes, estes se acham fatigados e não lhes podem sentir a força.” (Obreiros Evangélicos, 169)
#Falem pouco
"Falai pouco. Vossos discursos geralmente têm o dobro do que deviam ter. É possível lidar com uma boa coisa de tal maneira que ela perca seu sabor. Quando um discurso é longo demais, a última parte da pregação diminui a força e o interesse do que a precedeu. Não divagueis, mas ide diretamente ao ponto. Dai ao povo o próprio maná do Céu e o Espírito testificará com vosso espírito que não sois vós que falais, mas que o Espírito Santo fala por vosso intermédio." (Test. Min. e Obreiros Evangélicos, 311)[2]
#Se você trabalha com jovens: não fale demais
“Os que dão instruções à infância e à juventude, devem evitar observações enfadonhas. Falar com brevidade, indo direto ao ponto, terá uma feliz influência. Se há muita coisa para dizer, substituí pela freqüência aquilo de que a brevidade os privou. Algumas observações interessantes, feitas de quando em quando, serão mais eficazes do que comunicar todas as instruções de uma só vez.
Longos discursos fatigam a mente dos jovens. Falar demasiado levá-los-á mesmo a aborrecer as instruções espirituais, da mesma maneira que o comer em excesso sobrecarrega o estômago e diminui o apetite, conduzindo ao enjôo da comida. Nossas instruções à igreja, e especialmente à juventude, devem ser dadas, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali. As crianças devem ser atraídas para o Céu, não asperamente, mas com muita brandura.
Não imagineis que vos seja possível despertar o interesse dos jovens indo à reunião missionária e pregando longo sermão. Planejai meios pelos quais se possa despertar um vivo interesse.” (Obreiros Evangélicos, 208 a 210)
#Alguns sermões podem se transformar em três
“Alguns de vossos discursos longos teriam muito melhor efeito sobre as pessoas se os dividísseis em três. As pessoas não podem digerir tanto; sua mente tampouco os pode apreender, e chegam a cansar-se e confundir-se ao ser-lhes apresentada tanta matéria em um único sermão. Duas terças partes dos sermões tão longos perdem-se, e o pregador esgota-se. Muitos de nossos pastores há que erram nesse sentido. O resultado sobre eles não é bom, porque se tornam cérebros cansados e sentem que estão carregando para o Senhor cargas pesadas e suportando durezas.” (Evangelismo, 176 e 177)
#Duas razões para se fazer sermões mais curtos
“Duas razões existem, pelas quais deveis fazê-lo. Uma é que podeis conquistar a reputação de ser pregador interessante; a outra é que podeis preservar a vossa saúde.” (Carta 112, 1902)
#Ter muitos sermões num mesmo período não é bom
“E quando se amontoam tantos discursos, um após outro, o povo não tem tempo de assimilar o que ouve. A mente fica-lhes confusa, e os serviços se lhes tornam enfadonhos e fatigantes.” (Obreiros Evangélicos, 407)[3]
#Por vezes, o sermão deve ser reduzido para dar mais espaço aos testemunhos e treinamento
“Ocasiões há em que convém fazerem os nossos pastores, no sábado, em nossas igrejas, breves discursos, cheios de vida e do amor de Cristo. Os membros da igreja não devem, porém, esperar um sermão cada sábado.” (Testemunhos Seletos, vol 3, 82)
“Aquele que é designado para dirigir cultos aos sábados, deve estudar a maneira de interessar os ouvintes nas verdades da Palavra. Não convém que faça sempre tão longos discursos que não haja oportunidade para os presentes confessarem a Cristo. O sermão deve ser, freqüentemente, breve, a fim de o povo exprimir seu reconhecimento para com Deus. Ofertas de gratidão glorificam o nome do Senhor. Em cada assembléia dos santos, anjos de Deus escutam o louvor rendido a Jeová em testemunhos, canto e oração.
A reunião de oração e testemunhos, deve ser um período de especial auxílio e animação. Todos devem sentir que é um privilégio tomar parte nela. Que todos os que confessam a Cristo tenham alguma coisa para dizer na reunião de testemunhos. Estes devem ser curtos, e de molde a servir de auxílio aos outros. Não há nada que mate tão completamente o espírito de devoção, como seja uma pessoa levar vinte ou trinta minutos num testemunho. Isso significa morte para a espiritualidade da reunião.” (Obreiros Evangélicos, 171)
#Ellen White e os momentos de louvor estropiados
“O canto é uma parte do culto de Deus, porém na maneira estropiada por que é muitas vezes conduzido, não é nenhum crédito para a verdade, nenhuma honra para Deus. Deve haver sistema e ordem nisto, da mesma maneira que em qualquer outra parte da obra do Senhor. Organizai um grupo dos melhores cantores, cuja voz possa guiar a congregação, e depois todos quantos queiram se unam com eles. Os que cantam devem esforçar-se para cantar em harmonia; devem dedicar algum tempo a ensaiar, de modo a empregarem esse talento para glória de Deus.” (Evangelismo, 506)
#Não devemos fazer orações longas e tediosas publicamente
“A oração feita em público deve ser breve, e ir diretamente ao ponto. Deus não requer que tornemos fastidioso o período do culto, mediante longas petições. Cristo não impõe a Seus discípulos fatigantes cerimônias e longas orações. "Quando orares," disse Ele, "não sejas como os hipócritas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens." Mat. 6:5. (...)
Há muitas orações enfadonhas, que parecem mais uma preleção feita ao Senhor, do que o apresentar-Lhe um pedido.
Seria melhor se os que assim procedem se limitassem à prece ensinada por Cristo a Seus discípulos. Orações longas são fatigantes para os que as escutam, e não preparam o povo para escutar as instruções que se devem seguir.
É muitas vezes devido à negligência da oração particular, que em público elas são longas e fastidiosas. Não ponham os pastores em suas petições uma semana de negligenciados deveres, esperando expiar essa falta e tranqüilizar a consciência. Tais orações dão freqüentemente em resultado o enfraquecer a espiritualidade de outros.” (Obreiros Evangélicos, 175 e 176)
#Fazer orações públicas simples e não com palavras difíceis
“A linguagem floreada é inadequada à oração, seja a petição feita no púlpito, no círculo da família, ou em particular. Especialmente o que ora em público deve servir-se de linguagem simples, para que os outros possam entender o que diz, e unir-se à petição.” (Obreiros Evangélicos, 177)
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Perceba o padrão de Ellen White: nada deve ser desagradável e inconveniente no culto. Nem o sermão, nem o testemunho, nem as orações, nem a música. “Não seja chato”, essa é a mensagem geral.
No que depender de você, não permita que o “Alegrei-me quando me disseram: vamos à Casa do Senhor” (Sl 122:1) se transforme em “fiquei entediado quando me disseram: vamos à Casa do Senhor”.
Profundidade não é sinônimo de prolixidade. Brevidade e objetividade não são sinônimos de superficialidade. Alegria não é sinônimo de irreverência. Reverência não é sinônimo de monotonia e chatice.
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[1] Alguém pode estar pensando: “Mas a própria Ellen White relata ocasiões em que ela pregou durante uma hora ou mais”. Sim, mas isso não era o rotineiro. Eram ocasiões especiais, onde muitas vezes ela era usada por Deus para fazer revelações proféticas ao povo. O ponto aqui é: o normal e rotineiro deve ser sermões curtos. Podem existir exceções, ocasiões especiais onde maior tempo será gasto, mas a regra da pontualidade e dos sermões curtos deve prevalecer em nossos cultos.
[2] Escrevendo a um pregador chamado Stephen Belden, ela aconselhou: “Não segure o povo mais que trinta minutos em seus discursos”. Ele estava se tornando prolixo em seus sermões. (Manuscript Releases, vol. 10, pág. 130)
[3] O contexto dessa advertência eram as reuniões campais, onde enorme quantidade de sermões que eram apresentados em sequência.

Modificado a partir de Resumo da Ópera
Fonte: Adoração Adventista

quinta-feira, abril 21, 2016

Ansiedade: Como controlar?

“Na tua presença, Senhor, estão os meus desejos todos, e a minha ansiedade não te é oculta (Salmo 38:9).
Quando o despertador toca, a corrida começa: higiene pessoal, desjejum, levar os filhos para a escola, correria no trabalho, almoço, buscar os filhos na escola, voltar para o trabalho, academia, jantar, brincar com os filhos e finalmente descanso. O que sobra? Apenas o cansaço. Diante de uma agenda lotada como essa, cheia de compromissos urgentes, mesmo que agradáveis, alimentamos constantemente um parasita que tem consumido nossas energias vitais: a ansiedade. Quem nunca sentiu ansiedade? Acho que ninguém, não é mesmo?
Numa época em que tudo é instantâneo e “pra ontem”, deveríamos repensar na forma como temos lidado com a ansiedade. Mas o que ela é afinal? Bem, a ansiedade é um sinal que nos prepara para o que poderá acontecer diante de uma situação que ainda é desconhecida. Nosso corpo responde a ela com algumas sensações físicas como: taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos), sudorese, sensação de bolo na garganta, tensão muscular, aperto no peito e falta de ar.[1] Uma pessoa que sente uma ansiedade normal também apresenta sintomas físicos e emocionais, mas não fica paralisada diante de uma situação potencialmente ameaçadora.
No entanto, algumas pessoas possuem uma reação exagerada, excessiva e desproporcional de ansiedade frente a situações que não exigiriam tanto sofrimento. Esta é a chamada ansiedade patológica, que é um sentimento vago, desagradável e constante de medo e apreensão, que surge por causa de uma sensação de perigo iminente, como se algo ruim fosse acontecer[2]. Este tipo de ansiedade traz prejuízos à vida social, aos relacionamentos, ao estudo e ao trabalho, e geralmente é expressa através de um transtorno de ansiedade.

Transtornos de ansiedade[3]

Existem vários tipos de transtornos de ansiedade. Estes são os principais:
– Ataque de Pânico – crise aguda de ansiedade na qual a pessoa sente um medo intenso inexplicável acompanhado por sintomas físicos desagradáveis como: taquicardia, sudorese, tremores, sensação de falta de ar, dor ou desconforto torácico, náusea, sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio, sensações de irrealidade (desrealização) e de estar distanciado de si mesmo (despersonalização), medo de perder o controle ou enlouquecer, medo de morrer, sensações de formigamento (parestesias), e calafrios ou ondas de calor, tendo início súbito e podendo durar alguns minutos, sem causa específica.
– Transtorno de Pânico – caracteriza-se pela presença de ataques de pânico recorrentes e inesperados. Geralmente a pessoa desenvolve medo ou preocupação persistente em ter outros ataques e este medo pode levá-la a evitar lugares públicos ou até mesmo sair de casa sem a companhia de alguém que possa “acudi-la” caso “passe mal”.
– Fobia Específica – medo exagerado e persistente de objetos ou situações (animais, altura, lugares fechados, agulha, e outros) que leva a pessoa a se esquivar daquilo que é temido interferindo significantemente da rotina diária, no funcionamento ocupacional ou na vida social do indivíduo.
– Fobia Social – medo exagerado de situações sociais nas quais seja necessário que a pessoa se exponha a outras pessoas como, por exemplo, falar em público, fazer refeição em um local público, cantar ou tocar um instrumento musical, utilizar banheiros públicos, escrever ou assinar quando outras pessoas estão vendo, ser fotografado ou filmado.
– Transtorno Obsessivo Compulsivo – transtorno de ansiedade que integra obsessões e compulsões. Obsessões são pensamentos repetitivos, negativos e estressantes que ocorrem de forma persistente e intrusiva (sem que a pessoa queira), e as compulsões são os comportamentos repetitivos que a pessoa desenvolve na tentativa de eliminar ou amenizar estes pensamentos, e este ciclo acaba se tornando incontrolável para muitas pessoas.
– Transtorno de Estresse Pós-Traumático – apresenta-se com um conjunto de sintomas físicos e emocionais que surgem após a exposição a um evento traumático (acidente, assalto, sequestro, desastres naturais, guerras, abusos sexuais, torturas), incluindo alterações do sono, um grande aumento da ansiedade, lembranças do acidente como se fosse em flashes na mente, esquiva de falar sobre o assunto ou de situações que façam lembrar o que aconteceu, sonhos aflitivos e recorrentes com o que aconteceu, e sintomas físicos semelhantes aos do momento do evento quando em contato com situações que lembrem o ocorrido como taquicardia, sudorese, tremor e pânico.
– Transtorno de Ansiedade Generalizada – sentimento constante de apreensão por causa de uma percepção errônea de que tudo ao seu redor é perigoso e ameaçador. A pessoa sente necessidade de estar constantemente em alerta para que nada de ruim aconteça, acreditando ser impossível viver tranquilamente. Sintomas como dificuldade de concentração, nervosismo, medos sem motivos, taquicardia, sudorese, náuseas, desconforto abdominal, ondas de calor ou calafrios, dores musculares, sensação de falta de ar, perturbações do sono, fadiga e sensação de esgotamento acompanham este quadro.

Como pensam os ansiosos?

As pessoas ansiosas possuem alguns padrões típicos de pensamentos, que podem ser conscientes ou inconscientes. Estas formas de pensamento alimentam e aumentam a ansiedade, por isso, precisamos conhecê-las a fim de combatê-las[4]:
  1. Pensamentos catastróficos – São pensamentos exagerados. Por exemplo: uma pessoa está em um elevador e ele para de funcionar. Um pensamento real seria: “O que aconteceu? Vou chamar uma ajuda!”. Um pensamento catastrófico seria “Ninguém vai me ouvir. Vou passar mal aqui dentro. Ficarei preso por muitas horas”. Os pensamentos catastróficos geralmente vêm em uma avalanche e são exagerados em relação à realidade.
  2. Pensamentos dicotômicos – É a forma de pensar “ou tudo, ou nada”. Por exemplo: um palestrante antes de sua fala pensa: “Não posso errar nada e nem gaguejar, senão pensarão que sou incompetente”. Veja que o pensamento do palestrante foi muito rígido, acreditando que um erro ou demonstração de ansiedade faria com que as pessoas tivessem uma má impressão dele. No entanto, um palestrante é avaliado em um todo, e não só por uma atitude.
  3. Pensamentos de supergeneralização – É a generalização do que aconteceu em uma situação específica. Por exemplo: um jovem tem seu namoro terminado pela namorada, que diz que não gosta mais dele. Então, ele pensa: “Ninguém gosta de mim”, “Nunca mais vou conseguir uma namorada.” Esses pensamentos não são verdadeiros, e será preciso questioná-los.
  4. Abstração seletiva – É quando somente o que aconteceu de negativo é valorizado, desprezando o que foi positivo. Por exemplo: um estudante fez uma prova e tirou nove. Ele pensa: “Como não pude tirar 10?”, sem valorizar o que ele conseguiu.
  5. Conclusões apressadas – Pessoas ansiosas tendem a tirar conclusões antecipadas de situações. Por exemplo: uma pessoa telefona para uma amiga e ela não atende. A pessoa conclui: “Ela não quer falar comigo”, “Ela está chateada comigo”, quando, na verdade, pode ser que ela estivesse tomando banho, em uma reunião, ou até mesmo em um local no qual o celular não estava funcionando. As conclusões erradas podem gerar comportamentos inadequados e preocupações desnecessárias.
  6. Leitura mental – É quando uma pessoa pensa que sabe o que os outros estão pensando. Por exemplo: um professor olha para um aluno durante uma prova e o aluno pensa: “Ele acha que eu estou colando”, “Ele acha que eu não estudei para a prova”. Geralmente a leitura que fazemos diz respeito ao medo que temos do que os outros podem pensar acerca de nós, e geram ansiedade.

Como controlar os pensamentos ansiosos?

Há várias atitudes que ajudam na diminuição da ansiedade. Uma delas é saber controlar os pensamentos. Eles estão intimamente ligados com aquilo que vemos, ouvimos e experimentamos diariamente. Se nossos sentidos entrarem em contato apenas com coisas boas, nossos pensamentos serão bons consequentemente. Isso afetará nossos sentimentos e por fim, nosso comportamento. Ou seja, nosso funcionamento se dá desta maneira: pensamentos – sentimentos – ações (comportamentos). Um exemplo: um estudante fará uma prova de vestibular e está preocupado com o resultado. Veja dois modelos de pensamento e como deverão influenciar os sentimentos e as ações:
  1. Pensamento: “Não vou conseguir passar”. Sentimento provável: medo e desânimo. Ação provável: pouco estudo, conformação da incapacidade e desistência.
  2. Pensamento: “Será difícil, mas vou me preparar”. Sentimento provável: coragem, ânimo e esperança. Ação provável: muito estudo e preparação adequada.
Veja que pensamentos diferentes levam a pessoa a se sentir de forma diferente e, portanto, agir de maneira também diferente. Por isso, quando estiver se sentindo ansioso diante de uma situação, faça o seguinte exercício:
  1. Procure avaliar qual é o pensamento que você está tendo relacionado a tal situação.
  2. Questione se este pensamento é real. O jovem estudante poderia se questionar: “Por que eu não vou conseguir passar? E seu eu estudar? E se eu me esforçar?” Desta maneira, ele pode começar a ter novos pensamentos diante desta situação.
  3. Se perceber que o pensamento não necessariamente diz respeito a uma realidade, busque outro pensamento que seja mais realista.

Como lidar com a ansiedade?

Talvez a ansiedade tenha tirado o seu sono e a sua alegria de viver. Não se desespere. Podemos aprender a lidar com nossa ansiedade sem permitir que ela nos domine. Abaixo estão algumas dicas que poderão ser úteis para você:
No aspecto pessoal:
  1. Aceite a ansiedade. Isto não significa gostar dela, mas não negar que está se sentindo ansioso;
  2. Identifique pensamentos e crenças ansiosas e questione-as. Por exemplo: “Não posso errar nunca” – pergunte-se: “Realmente nunca posso errar?”, “Será que há alguém que não erra?”;
  3. Avalie quais limites você precisa colocar para outras pessoas. Isto inclui aprender a dizer “não”, a não ter que agradar sempre e a não ter que suportar abusos;
  4. Seja seu melhor amigo e incentivador. Em vez de ficar se culpando por estar ansioso, lembre-se de que você está buscando meios de lidar com esta ansiedade e seja seu amigo parando de se culpar e colocando em prática o que está aprendendo;
  5. Valorize o que você conseguiu em vez de ficar se cobrando pelo que não conseguiu;
  6. Não espere que outras pessoas preencham em você o seu vazio. Nunca será possível ter ansiedade “zero”. Teremos que aprender a tolerar alguma ansiedade;
  7. Tolere alguma ansiedade. Lembre-se de que a ansiedade não vai matar você. Ela pode ser muito desagradável, mas você pode tolerá-la;
  8. Busque saber sobre a ansiedade que sente. Quanto mais você se informar, mais vai entender o que se passa com você e o processo de recuperação será mais rápido.
No aspecto profissional:
  1. Psicoterapia com um psicólogo. A ajuda psicológica pode ser uma maneira de a pessoa identificar as causas da ansiedade, tratá-las e aprender a como lidar com ela. A Terapia Cognitivo Comportamental costuma ser eficaz no tratamento de transtornos de ansiedade;
  2. Avaliação da necessidade de medicamentos com um médico psiquiatra. Dependendo do grau da ansiedade, pode ser necessário o uso temporário de algum medicamento, e isto deverá ser avaliado por um médico psiquiatra;
  3. Checar possíveis causas orgânicas com médicos especialistas. É sempre importante avaliar a saúde física geral a fim de descartar quaisquer possibilidades de problemas orgânicos que podem gerar alguma ansiedade como: questões hormonais, cardíacas e neurológicas.
Cuidados físicos:
  1. Atividades físicas – O exercício físico é parte muito importante em um programa de redução de ansiedade e do estresse. Quando nos exercitamos, há liberação de serotonina e dopamina no corpo, que são hormônios que promovem a sensação de bem-estar. Isto ajuda no controle da ansiedade se praticado sistematicamente;
  2. Alimentação – O cuidado com o que comemos é um fator que merece atenção. Evite bebidas que contenham cafeína ou outros estimulantes como a cola, o guaraná, o chá preto, o chá mate e o chá verde. Eles tendem a aumentar a ansiedade e intensificam sintomas de nervosismo e agitação. Os açúcares também potencializam quadros de ansiedade;
  3. Sono/repouso – Procure dormir pelo menos oito horas por noite, em local escuro e sem barulho. Esta é uma maneira da mente descansar e de, portanto, aliviar a ansiedade;
  4. Respiração – A respiração profunda diminui consideravelmente a ansiedade. É cientificamente comprovado que a respiração profunda corta, inclusive, crises de pânico, que é uma das expressões de ansiedade.[5]
Saúde espiritual:
  1. Relacionamento com Deus e estudo da Bíblia – É comprovado cientificamente que a fé e as atividades religiosas (como meditar em um trecho da Bíblia e orar) diminuem o cortisol (hormônio do estresse), aumentam o nível de serotonina e dopamina (hormônios que causam bem-estar) e aumentam as atividades do córtex pré-frontal, responsável pelo raciocínio, decisões e escolhas, tornando-os mais saudáveis.[6]
  2. Oração – Falar com Deus sobre o que estamos sentindo, seja de forma verbal ou em pensamento, é uma atividade altamente terapêutica. Quando abrimos o coração a Ele e compartilhamos sentimentos e pensamentos de preocupação, frustração ou tristeza podemos experimentar alívio e esperança de que por mais que algo fuja do nosso controle, jamais fugirá do controle de Deus.

VOCÊ E O CRIADOR

Vivemos numa época em que todas as coisas são programadas para serem rápidas e instantâneas. Queremos tudo aqui e agora. Parece que as 24 horas do dia não são mais suficientes para abarcar todos nossos sonhos e projetos. Numa loucura desenfreada, “queremos virar a esquina antes de chegarmos nela”. O que fazer? O melhor conselho é:“Lancem sobre Ele toda a sua ansiedade, porque Ele tem cuidado de vocês” (1 Pedro 5:7). A sua ansiedade não é despercebida para Deus. O salmista diz: “Na Tua presença, Senhor, estão os meus desejos todos, e a minha ansiedade não Te é oculta” (Salmo 38:9). Por que você não entrega suas preocupações ao Senhor hoje? Ele ajudará você a lidar com sua ansiedade: “Quando a ansiedade já me dominava no íntimo, o teu consolo trouxe alívio à minha alma” (Salmo 94:19).

[1] Fonte: http://www.amban.org.br/content/textos-educativos Programa de Ansiedade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
[2] Fonte: CASTILLO, A. R. GL; RECONDO, R.; ASBAHR, F. R. & MANFRO, G. G. Transtornos de ansiedade. Revista Brasileira de Psiquiatria 2000; 22 (Supl II): 20-3.
[3] Fonte: DSM-IV, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 4ª edição, American Psychiatric Association, Artmed, 2003.
[4] Fonte: CTC Veda.
[5] Fonte: RANGÉ, B. (Org.), Psicoterapia Comportamental e Cognitiva de Transtornos Psiquiátricos. Editorial Psy II, 1998.
[6]Fontes: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/mente_fe.htm e H. Koenig, “Impact of Religion on Health”, 2005. www.sma.org/presentations/2005; H. Koenig, M.D. – Dept. of  Psychiatry and Medicine, Duke University Medical Center – “Religion, Spirituality, and Medicine: Research Findings and Implications for Clinical Practice.” – Southern Medical Journal, vol.97, Number 12, Dec 2004.
esperanca.com.br

Como reavivar uma igreja?


Por que os cultos em algumas igrejas Adventistas são tão "frios" e "desanimados"?


Por que alguns sermões não alcançam os corações dos adoradores?

Por que existe tanta frieza na vida espiritual de alguns Adventistas do 7º Dia?

Por que a Igreja Adventista não utiliza o modelo de culto de outras denominações, cujas reuniões estão sempre repletas de pessoas?

Estas são algumas das perguntas que frequentemente são feitas aos líderes Adventistas. Recentemente recebi um e-mail de um assíduo leitor deste blog, o qual me fez diversas indagações sobre nossa maneira de adoração, em especial sobre o estilo dos cultos, que, às vezes, não produzem a sensação de que houve realmente um encontro com Deus.

Eu creio no seguinte: NÃO PRECISAMOS COPIAR NINGUÉM!

Não é porque uma igreja A ou B tem seus cultos com pessoas do lado de fora, que nós devamos fazer "tudo" que eles fazem, para termos os mesmos resultados. Sabemos que há muito Cristianismo adulterado por ai, com mensagens que levam as pessoas a buscarem bens e prazeres materiais, curas, milagres, exorcismos, etc., mas sem uma mensagem centrada na Bíblia, no "Assim diz o Senhor".

Muitas denominações se enchem de pessoas porque apresentam uma mensagem que não "cobra" nenhuma mudança de vida. Ou seja, apenas pregam que Jesus salva, liberta e cura, mas não dizem que este mesmo Jesus espera renovar a vida da pessoa e colocá-la no Caminho da Verdade e da Salvação Eternas (cf. Mat. 7:21-23; Rom. 6:4; 2Cor. 5:17; João 14:15; 15:14; etc.).

Por isso, não penso que a solução seja "copiar" o que existe em outras denominações. Infelizmente, parece que esta tem sido uma tendência em alguns lugares, os quais estão preferindo utilizar-se de músicas, sermões, liturgias, e até "jargões" estranhos à cultura Adventista, com o objetivo de atrair mais adoradores. A intenção pode ser boa, mas devemos cuidar para que os princípios de nossa fé não estejam sendo rebaixados!

Como Reavivar?

É uma realidade, infelizmente, que algumas congregações Adventistas tenham uma "vida" muito "sem sal", ou seja, são comunidades de crentes que não contagiam pela alegria, vibração e entusiasmo que os não-crentes esperam ver quando visitam nossas igrejas pela primeira vez (cf. Atos 2:46-47).

O que podemos fazer para mudar esta situação? Em primeiro lugar, acredito sinceramente que a temática dos sermões pregados nestas congregações "frias" e "sem vida" tem uma imensa parcela de culpa na situação espiritual da Igreja. Até que ponto as necessidades dos adoradores estão sendo supridas com os sermões? Como eles estão encontrando eco no coração das pessoas? Os dramas e temores da vida moderna estão sendo esclarecidos e solucionados através dos sermões, ou as pessoas "entram vazias" e "saem cheias"... de novas angústias? Os jovens estão encontrando respostas para as lutas que enfrentam na sociedade secularizada em que vivem?

Não era assim que Jesus pregava. É só ler os Evangelhos para comprovar isso.
Suas mensagens, Seus momentos de "entrevista individual" com alguma pessoa, Seus milagres, etc., revelam que a preocupação de Deus é por nossa cura espiritual, por nos libertar dos jugos desta vida.

"Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve" (Mat. 11:28-30).

O "fardo" de Jesus é leve... pois é Ele que carrega por nós!
Os sermões que ensinam uma mensagem de exagerado sacrifício, de religião fanática, de cristianismo triste e sem vida, não provêm do Alto... com absoluta certeza!

Se sua igreja precisa ser reavivada, comecem a pregar mensagens de esperança, de salvação em Cristo, de libertação. O Novo Testamento está repleto de temas para este tipo de pregação.

Não adianta querer reavivar uma igreja pregando sobre vestuário, alimentos saudáveis, dinheiro, profecias alarmistas, murmurações contra a liderança, etc. Estes podem até ser temas interessantes, mas não devem ser o único "repertório" de uma congregação que deseja ser VIVA.

O grande pastor e teólogo Adventista, Dr. Hans K. LaRondelle, em seu brilhante livro "O que é Salvação?", diz o seguinte:


"Há muitos no mundo e na Igreja que inconscientemente anseiam pela mensagem: ‘Os teus pecados estão perdoados’. Portanto, em cada sermão, o pregador precisa proclamar a justificação" (p. 78).



Justificação, salvação, exaltação da Cruz, libertação do pecado, Jesus, Jesus, Jesus... ai está o segredo do sermão eficaz! É isso o que o povo precisa ouvir, quando os dramas da vida sufocam o coração: TEUS PECADOS ESTÃO PERDOADOS! VÁ EM PAZ!

Uma igreja que só ouve sobre o tamanho do cabelo ou o vestuário das mulheres, sobre a "irreverência" durante o sábado, sobre os benefícios da alimentação vegetariana, sobre os perigos do uso de bateria durante o culto, etc., não pode ser uma igreja viva.

Como eu disse, estes temas têm o seu devido lugar de importância, mas não é no PRIMEIRO LUGAR.

Caros pregadores, preguem mais sobre o livro de Romanos, sobre os milagres de Jesus, sobre a alegria da salvação em Cristo... e suas igrejas iniciarão um reavivamento que jamais foi visto!

Algumas Dicas Práticas:

Fonte: Manual do Pr. Ronaldi Neves Batista (UEB).



1. Uma Igreja se reaviva num período de 4 a 6 meses.
2. Eu mesmo, como líder, tenho que estar vibrando por Cristo – preciso estar reavivado.
3. Reúna os oficiais e defina responsabilidades. As reuniões deverão ocorrer mensalmente.
4. Dirija cada reunião com entusiasmo e animação.
5. Saia da rotina nos cultos de quarta e domingo.
Domingo – reuniões de cunho evangelístico, com "corinhos", slides, filmes, brindes, um lanche ao final, etc.
Quarta – bons pregadores, experiências missionárias, testemunhos de curas e milagres, muita música alegre e inspiradora.
6. Tenha uma reunião semanal dos professores da Escola Sabatina.
7. Forme novos professores.
8. Tenha um serviço de cânticos animado. Nada daquele serviço monótono, sem vida e feito de improviso, apenas para “cumprir tabela”.
9. Realize cursos de Evangelismo Voluntário.
10. Reúna os instrutores bíblicos para motivá-los e treiná-los.
11. Separe pelo menos 20% do orçamento da Igreja para investir no trabalho missionário.
12. Faça reuniões de oração com os líderes, para orar pelos estudantes e interessados.
13. Tenha uma boa equipe de recepção em TODOS os cultos. Esqueça aqueles recepcionistas antipáticos, frios e que correm para o banco assim que o culto começa.
14. Programa de visitação constante pelos Anciãos e Diáconos.
15. Tenha classes bíblicas permanentes: jovens, adultos, juvenis.
16. A cada trimestre, faça uma reunião administrativa e de avaliação do planejamento.
17. NÃO DESANIME NA PRIMEIRA DIFICULDADE.

Temos um imenso ARSENAL à nossa disposição para fazer com que nossa igreja seja VIVA e ANIMADA. Não há porque copiar ninguém, pois tudo o necessário já faz parte de nossa fé e cultura... só precisamos utilizar.

Quanto antes vocês começarem, maiores serão as alegrias de verem os "ex" retornando, os jovens se animando na missão, as crianças alegres, os adultos empolgados com a fé... e as visitas marcando presença em cada culto e reunião.


"Pois não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê..." (Rom. 1:16).



O EVANGELHO É UM PODER... UMA VERDADEIRA "DINAMITE"!


Gilson Medeiros

domingo, abril 10, 2016

A Bíblia fala em unicórnios, e eles existiram

Pelo fato de algumas versões bíblicas trazerem a palavra “unicórnio”, muitos céticos a acusavam de se referir a um ser mitológico, o tal cavalo que teria um chifre na testa e supostos poderes mágicos. De fato, a Bíblia menciona nove vezes um animal conhecido pelo termo hebraico re’ém (רֶאֵם) (veja Is 34:7; Jó 39:9, 10; Nm 23:22; 24:8; Dt 33:17; Sl 22:21; 29:6; 92:10). A Septuaginta trocou o termo re’ém pelo gregomonokeros (mono = um; keros = corno ou chifre), dando, assim, o sentido de “unicórnio”, ou seja, “com um chifre”. A Vulgata latina frequentemente traduz o termo re’ém para “rinoceronte”. E a Bíblia traduzida de Lutero (Luther Bibel, 1545) traduzre’ém para einhörner (ein = um; horner = chifre), que também significa único chifre ou unicórnio.

Embora algumas versões bíblicas brasileiras como a João Ferreira de Almeida troquem o termo “unicórnio” por “boi selvagem” ou “búfalo”, uma descoberta recente pode ajudar a resgatar o termo “unicórnio” – e não se trata do cavalo mágico. Pesquisadores acreditavam que a espécie Elasmotherium sibiricum se limitava à região da Sibéria e, portanto, não poderia ser conhecida nas terras bíblicas. Ocorre que um crânio fossilizado desse animal foi encontrado no Cazaquistão. A descoberta foi relatada em estudo publicado no periódico American Journal of Applied Science. “O unicórnio em questão parece mais um rinoceronte com um chifre na testa do que o cavalo místico que carregamos na imaginação. De acordo com os pesquisadores, o animal tinha cerca de dois metros de altura, quatro de comprimento e chegava a pesar até quatro toneladas. E, apesar de seu tamanho e peso, é bem provável que só se alimentasse de grama”, informa o site da revista Galileu

Nada impede que esse animal (ou os ancestrais dele) tenha vivido em outras regiões. A Bíblia também descreve uma criatura interessante chamada de beemote, cuja descrição parece a de um dinossauro (Jó 40:15-19). Os autores bíblicos podem ter tido contato com esses animais ou, então, ter tomado conhecimento da existência deles. A Bíblia não é um compêndio de zoologia, mas deve ser respeitada como um documento sério e histórico.

(Michelson Borges, com informações de Raciocínio Cristão e revista Galileu)

Toda a verdade é relativa… menos esta!


Imagine a seguinte situação. Você é uma pessoa saudável, mas durante os últimos meses começa a sentir uma dor aguda no estômago. Vai ao médico, faz os exames necessários e uma semana depois retorna ao doutor para que ele examine os resultados dos exames. Ao puxar os papéis do envelope e ler o conteúdo, o médico muda de expressão. Você já não está tão calmo como estava antes e começa a imaginar as diferentes frases que podem sair da boca dele. Mas, em vez do tradicional “Você está com câncer e tem alguns meses de vida apenas”, o médico respira fundo e lhe diz: 

“Olha, senhor, o laboratório diz aqui que você tem câncer no estômago, mas a realidade é que a verdade é o senhor que escolhe. Isso pode ser verdade para eles, porém, não precisa ser verdade para você! O senhor é quem escolhe o seu caminho.”

O que você acharia disso? Pode parecer uma história absurda, mas é mais ou menos isso o que acontece na área da religião e da filosofia. Você já ouviu a frase: “Isso pode ser verdade para você, mas não para mim”?

Primeiro, vamos às definições técnicas. A verdade, segundo alguns, pode ser relativa ouabsoluta. A definição da verdade relativa é que a verdade é verdade uma única vez e em um único lugar. É verdade para algumas pessoas e não para outras. É verdade hoje, mas pode não ter sido verdade no passado e pode não ser novamente no futuro – sempre está sujeita a mudança. Ela também está sujeita à perspectiva das pessoas. 

A definição de verdade absoluta é: tudo quanto é verdade uma vez e em um lugar é verdade todo o tempo e em todos os lugares. O que é verdade para uma pessoa é verdade para todas as pessoas. Verdade é verdade se nós acreditamos nela ou não. A verdade é descoberta ou revelada, não é inventada por uma cultura ou por homens religiosos. 

O filósofo grego Protágoras disse que o “homem é a medida de todas as coisas”. Isso significa que cada pessoa pode decidir o próprio padrão para o certo e o errado. O que é moralmente certo para mim, pode estar errado para outro. Essa é a essência de relativismo.

O renomado biólogo Edward Wilson, em Consilience: the Unity of Knowledge, escreve: “Pensadores do iluminismo creem que podemos saber tudo, e pós-modernos radicais creem que não podemos saber nada.” O que ele quis dizer com isso? Tivemos dois extremos na história do saber. Um deles, como vimos no estudo anterior, afirma que por meio da ciência podemos saber todas as coisas. Esse pensamento pertence ao mundo do Iluminismo do século 18. Porém, a sabedoria com o passar dos anos se estendeu a outro extremo e o pós-modernismo em que vivemos hoje tenta nos convencer de que não existeuma verdade, mas várias.

Agora, o que nos interessa é saber como sabemos que a verdade é relativa ou absoluta. Como posso ter certeza de que minha vida, meus atos, minha crença devem ser ditados por uma única verdade que governa o mundo inteiro?

Vamos à primeira evidência: existem absolutos. Com certeza, você crê nisso. Quer provas? Você consegue acreditar que alguém pode andar e permanecer parado ao mesmo tempo? Ou que alguém está dormindo enquanto está acordado? É possível que um cavalo seja inteiramente branco enquanto inteiramente preto? Você consegue viver no passado e no futuro ao mesmo tempo? Você definitivamente não poderia dizer, diante de um acidente de automóveis, que talvez o acidente tenha acontecido e talvez não tenha acontecido; que depende do ponto de vista de quem viu acontecer.

A primeira conclusão, portanto, é de que, quando lidamos com a realidade, tem de existir uma verdade absoluta, senão não é realidade!

Segunda evidência: a lei da não contradição. O princípio da não contradição foi formulado por Aristóteles em seus estudos sobre a lógica, e diz que uma proposição verdadeira não pode ser falsa e uma proposição falsa não pode ser verdadeira. Nenhuma proposição, portanto, pode ser os dois ao mesmo tempo. Uma afirmação não pode ser contraditória para ser verdadeira. Por exemplo, você não pode dizer que um animal é um cachorro e dizer também que não é um cachorro.

Se analisarmos cuidadosamente, a própria afirmação do relativismo é contraditória. Veja só: “Toda a verdade é relativa.” Isso é como uma declaração do tipo: eu tenho absolutamente certeza de que tudo é relativo. Na própria declaração, o relativismo já se contradiz. Porém, se você analisar a afirmação da verdade absoluta, isso muda: toda verdade é absoluta. Essa afirmação também é absoluta, portanto, sem problemas! 

Rafael Lanzetti, em seu artigo “Relativismo e Crítica Literária”, faz um comentário muito interessante a respeito de Protágoras, o filósofo que criou a teoria relativista: “Ora, Protágoras, ao criar tal teoria, criou juntamente com ela sua primeira contradição: se o trabalho de Protágoras enquanto filósofo sofista era o de ensinar aos outros como convencer os demais de que o que diziam era verdade, como poderia afirmar ele que tudo em que o homem acredita é verdade para este? Ao perceber sua contradição, Protágoras foi obrigado a adaptar sua teoria, qualificando sua doutrina: enquanto tudo em que alguém acredita é verdade, algumas coisas em que algumas pessoas acreditam são melhores que outras coisas em que outros acreditam.”

Platão disse, porém, que tal qualificação revela a inconsistência de toda a sua doutrina. Seu argumento básico se chama “A virada de mesas” (“Peritroph”): “Se à maneira como as coisas parecem para mim, assim elas existem para mim, e se à maneira como as coisas parecem para ti, assim elas existem para ti, então parece a mim que toda a tua doutrina é falsa. Uma vez que à maneira com que as coisas parecem para mim é verdade, então deve ser verdade que Protágoras estava errado.” Uma vez que Protágoras afirmou não existir falsidade, ele não pode dizer que o argumento de Platão seja falso, portanto a teoria de Protágoras é relativa.

Se até mesmo o inventor da teoria tão divulgada hoje teve problemas com ela, o que isso diz a respeito de sua confiabilidade?

Segunda conclusão: a teoria do relativismo não passa no teste da Lei da Não Contradição e seu próprio autor se contradisse.

Terceira evidência: a verdade relativa não é benéfica no sentido moral da sociedade. Se o ser humano é a medida de todas as coisas, ele também pode ser a medida do que dita a lei. Como defesa das verdades absolutas, o estudioso católico Leslie Walker debate o Relativismo usando seu próprio paradoxo: “Se dissemos que não existe no mundo certo ou errado, melhor ou pior, mas apenas formas de vida diversificadas, não podemos dizer que alguém está errado por seguir suas verdades particulares, certo?”, pergunta ele. “Certo”, ele mesmo responde. “Se isso é verdade, não podemos dizer que Hitler e Stalin estavam errados em matar milhões de pessoas e trazer sofrimento e dor, de uma forma ou de outra, a todo o mundo, certo? ‘Certo.’ Consequentemente, não podemos dizer que estávamos errados se quisemos matá-los, como assim o fizemos. ‘Exato.’” (Larry J. Walker, “Relativism”. In: Encyclopaedia Catholica. Vaticano: Editoriale Papale, 1987). Você já pensou nisso?

Terceira conclusão: se nossa sociedade baseasse sua moralidade na teoria da verdade relativa, cada um poderia exercer aquilo que acredita ser verdade, causando um verdadeiro caos moral.

Quarta evidência: as declarações religiosas também são propostas não-contraditórias. Muitos dizem que o problema da verdade relativa não está nas coisas corriqueiras do nosso dia a dia ou nos fatos que a ciência comprova e sim que o problema reside nas questões religiosas, como, por exemplo, a existência de Deus, a veracidade da Bíblia como Escritura Sagrada, e em citações de Jesus Cristo. A mentalidade pós-modernista, quando questionada a respeito da religião, clama em uníssono: “Não existe uma só verdade e não há um caminho verdadeiro. Todos os caminhos, todas as religiões e todos os livros sagrados nos levam a Deus (seja qual for) e a uma verdade.” Vamos analisar também essa afirmação.

Vimos anteriormente que toda declaração feita tem que ser verdadeira ou falsa; não há alternativa além dessas. Qualquer afirmação que faz uma reivindicação de ser verdade – seja ela expressa em uma frase, elocução ou uma crença – é chamada de proposta. Frases sobre fatos expressam propostas. Propostas são ou verdadeiras ou falsas porque elas fazem reivindicações da verdade, estipulam o “que é” e o que “não é”. Veja esta citação de Aristóteles: “Dizer que é o que não é, ou que não é o que é, é falso, enquanto dizer o que é que é, e o que não é que não é, é verdade; para que aquele que diz qualquer coisa que é, ou que não é, vai dizer aquilo que é verdade e não o que é falso.”

Essa citação de Aristóteles inspirou até mesmo um grupo musical dos anos 1980 a escrever a música “O Que”. Também nos inspira a entender que até mesmo propostas filosóficas e religiosas entram na categoria de ou serem verdadeiras ou falsas.

Quarta conclusão: a mesma regra da não contradição se aplica a declarações filosóficas e religiosas, pois elas se enquadram na definição de propostas.

A grande pergunta final

Ainda resta uma grande pergunta: Por que, de todas as declarações e propostas religiosas no mundo, devemos seguir o cristianismo? E mais: Por que seguir a Bíblia? Por que não os livros sagrados do Islamismo, Budismo ou Hari Krishna? Será que não existem verdades em todas as religiões? Por que só uma deve ser verdadeira e como podemos confiar naquilo que está escrito na Bíblia?

Pense em alguém se aproximando de você e declarando: “Estou com dor no joelho esquerdo.” Essa é uma declaração subjetiva, mas ainda é uma proposta. Pode ser verdadeira ou não. Como você sabe? Você consegue entrar na cabeça da pessoa e saber se ela está mentindo? Acredito que não. Então, a única forma de saber depende de quanta confiança você tem nessa pessoa. Ela já mentiu para você alguma vez? Ela frequentemente se contradiz em suas afirmações? Você já passou tempo com essa pessoa para saber se ela é confiável?

É isso que estudaremos nos próximos programas. Usando fatos e a lei da não contradição, vamos realmente analisar esse livro que se diz portador de tantas verdades absolutas. E vamos confirmar se podemos verdadeiramente confiar nele.

Criacionismo